Guy Ritchie e seu estilo único de ação
Guy Ritchie possui um talento especial para criar histórias de ação, assaltos e crimes. Ao longo da última década, ele tem aprimorado seu estilo narrativo acelerado, trazendo ao gênero alguns dos filmes mais elegantes e bem-sucedidos. Sua mais recente produção, ‘In The Grey’, pode estar dividindo opiniões entre críticos e o público, mas já se destaca como uma das melhores do ano.
O filme acompanha uma advogada (Eiza Gonzalez) e sua equipe de solucionadores (Henry Cavill e Jake Gyllenhaal) enquanto tentam recuperar uma fortuna de um bilhão de dólares de uma organização criminosa implacável.
A fórmula de Guy Ritchie ressoa com o público
Ritchie tem experiência tanto com produções de grande orçamento quanto com projetos menores e tem dedicado anos para aperfeiçoar sua voz única. Suas narrativas, centradas em crimes, caos e elencos variados, prosperam com diálogos humorísticos, dinâmicas entre personagens e enredos intrigantes, ao invés de se basear apenas em explosões. No entanto, nem todos os filmes de Ritchie foram considerados sucessos nas bilheteiras. Várias de suas produções recentes não conseguiram se destacar em relação ao investimento ou ao talento em cena, incluindo suas três colaborações com Henry Cavill: ‘The Man from U.N.C.L.E.’, ‘The Ministry of Ungentlemanly Warfare’ e ‘In The Grey’. Contudo, rotular esses filmes como fracassos ignora suas vidas fora do circuito de bilheteira. ‘The Man from U.N.C.L.E.’, por exemplo, é visto como uma joia escondida nas plataformas de streaming, e ‘In The Grey’ já está gerando conversas semelhantes.
Após menos de um mês em cartaz, o filme estreou em primeiro lugar na Apple TV ao ser lançado e atualmente possui uma pontuação de 83% entre o público no Rotten Tomatoes. O trailer de ‘In The Grey’ afirma: “Eles operam entre o moral e o imoral, o preto e o branco; eles atuam na zona cinza.” Parece que é exatamente nesse espaço que o filme também se insere. Existem algumas lacunas na trama, mas a obra entrega exatamente o que se espera de um filme desse tipo. Trata-se de um longa-metragem de uma hora e meia que é divertido, ideal para desligar a mente e comer pipoca.
A força do elenco traz personalidade ao filme
Henry Cavill possui uma série de papéis de ação em seu currículo e se destaca nesse gênero. Desde Superman até ‘Missão: Impossível — Fallout’ e ‘Argylle’, ele entrega bem tanto nas cenas de ação quanto nas dramáticas, e seu personagem Sid em ‘In The Grey’ oferece mais uma oportunidade para exibir essas habilidades. A parceria de Cavill com Ritchie o colocou em diferentes versões do arquétipo do herói de ação; ele já foi o espião charmoso, o maverick caótico, e agora interpreta um personagem mais centrado do que antes. Sid é um líder tático e controlado, precisando ser o oposto de Bronco, que é reativo e tende a improvisar em vez de planejar. Esses dois irmãos de armas se provocam a todo momento, mas a profunda devoção entre eles é evidente. Suas diferenças fazem sentido; Cavill e Gyllenhaal operam em esferas distintas de ação, e o embate entre eles cria a tensão necessária para manter o público envolvido.
Completando o trio está Eiza Gonzalez como Rachel. Rachel é a força conectiva e âncora do filme, além de ser um elo entre os dois homens. Um flashback revela que ela salvou Bronco e Sid da morte, formando uma equipe desde então. Este elemento é provavelmente enfatizado pelo fato de que Gyllenhaal e Cavill nunca trabalharam juntos antes, mas ambos já colaboraram separadamente com Gonzalez. A dinâmica entre a equipe reforça um tema recorrente nos filmes de Ritchie: as relações entre os personagens e sua lealdade uns aos outros são mais importantes do que a própria missão. Seu uso de um elenco diversificado, em vez de um único protagonista claro, sempre foi uma das maiores forças em suas narrativas.
‘In The Grey’ é o tipo de filme de ação que Hollywood precisa
Em uma era repleta de filmes com mais de duas horas, atrelados a propriedades já estabelecidas, uma obra como ‘In The Grey’ é um sopro de ar fresco. Trata-se de um filme de ação classificado como R que não depende de personagens legados ou do multiverso; ele se apoia na ação e na execução. As cenas de tiroteio e combate corpo a corpo são bem coreografadas; nossos protagonistas tratam a violência como uma ferramenta que contribui diretamente para o desenvolvimento do filme. E com uma duração de 98 minutos, o público não deve esperar menos, pois não há espaço para explosões desnecessárias ou sequências prolongadas. Todos na tela e na plateia sabem que os oponentes têm poucas chances contra Bronco e Sid, então qual é o propósito de lutar sem razão, exceto pela luta em si? Um filme sem excessos como este prova que, quando bem feito, uma produção de médio orçamento pode ser um sucesso. Claro, ele não recuperou seu investimento nas bilheteiras, mas Ritchie não está gastando centenas de milhares de dólares para criar filmes ruins. Ele investe um orçamento razoável em filmes populares que estão sendo subestimados. No caso de ‘In The Grey’, trata-se de uma obra que foi esquecida. Filmado há três anos e abandonado pela Lionsgate, o filme recebeu uma divulgação mínima e não permaneceu em cartaz por tempo suficiente para ganhar força através do boca a boca. Se tivesse sido tratado de forma mais eficaz, esse filme poderia ter se tornado um grande sucesso nas bilheteiras. Contudo, a obra fala por si mesma e pode ser adicionada à lista de filmes que encontraram uma nova vida após os cinemas, e provavelmente se tornará o rei dos filmes de ação deste ano ao final de 2026. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…




