Filmes de ficção científica quase perfeitos arruinados pelos protagonistas
O gênero de ficção científica já produziu diversos filmes considerados obras-primas, mas alguns falharam devido a seus protagonistas mais fracos. Em sua melhor forma, esse segmento do cinema pode instigar, amedrontar ou inspirar o público ao abordar o vasto universo e as possibilidades da tecnologia. No entanto, heróis e vilões bem construídos são essenciais para que a audiência se conecte emocionalmente às histórias, e quando isso não acontece, o enredo pode ser comprometido. O gênero sempre foi um dos mais desafiadores para Hollywood, frequentemente dependendo de misturas com ação, aventura e terror para alcançar sucesso real. Criar um protagonista envolvente em filmes de ficção científica continua a ser um desafio, mesmo para alguns dos melhores cineastas. Desde Steven Spielberg até Rian Johnson, alguns dos mais renomados criadores do século viram seus projetos mais ambiciosos serem prejudicados por protagonistas fracos.
Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi sabotou todos os novos heróis
Em 2018, Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi, dirigido por Rian Johnson, se tornou um ponto de discórdia nas guerras culturais e nas críticas cinematográficas. A sequência acompanha a Resistência, liderada por Leia Organa, enquanto são forçados a fugir da Primeira Ordem, enquanto Rey tenta dominar a Força sob a orientação cínica de Luke Skywalker. A cada passo, o filme insere uma visão de mundo mais cínica no universo e nos personagens de George Lucas, resultando em um projeto que parece mais interessado em desconstrução do que em expansão do mundo. Grande parte das críticas a Os Últimos Jedi se concentrou nas mudanças na mitologia e no tratamento dos heróis originais, sendo muito subjetivas. Contudo, é inegável que tanto Johnson quanto a Disney desperdiçaram completamente o potencial da nova geração. Desde o arco Jedi de Finn sendo descartado até Rey sendo deixada sem direção, tudo que é positivo nessa história, que é bastante, é ofuscado por suas falhas de caráter. Mesmo as poucas ousadias que o filme tentou foram, em última análise, sabotadas pela entrada final de JJ Abrams. Com o passar do tempo, o filme parece ser um exemplo claro de uma narrativa que estava tão preocupada em transmitir uma mensagem que se esqueceu de tornar seus heróis dignos de serem seguidos.
A Guerra dos Mundos de Steven Spielberg merecia mais do que as crianças Ferrier
Em 2005, Steven Spielberg dirigiu uma adaptação do clássico de ficção científica de HG Wells, A Guerra dos Mundos. Sua versão foca em Tom Cruise no papel de Ray Ferrier, um pai divorciado que leva seus dois filhos para um final de semana justo antes do ataque dos marcianos. Enquanto os tripodes devastam o mundo ao seu redor, o pai luta para levar as crianças até a mãe em Boston, enfrentando os invasores alienígenas ao longo do caminho. Em cada obstáculo, os maiores desafios são tanto as crianças quanto os atacantes. O que deveria ser uma verdadeira epopeia cinematográfica acabou se assemelhando a um drama familiar, enquanto o público assistia as crianças Ferrier fazendo birras em meio ao apocalipse. A atuação de Tom Cruise como Ray é o único personagem realmente digno de investimento, enquanto os outros são mais propensos a fazer o público desligar do filme do que a continuar assistindo. Dakota Fanning pode ser uma grande atriz, mas o que os fãs de ficção científica menos queriam era ver Rachel Ferrier gritando a cada aparição dos alienígenas.
Owen Grady parece uma cópia barata de Indiana Jones
Em 2015, a Universal reanimou sua franquia Jurassic Park com Jurassic World, ampliando o conceito da adaptação de Steven Spielberg do romance de Michael Crichton para uma nova geração. Esta versão apresenta um parque em funcionamento, cuja mais recente atração, o Indominus Rex, escapa, colocando os visitantes em pânico. Cabe ao treinador de velocirraptores, Owen Grady, resgatar os sobreviventes e acabar com o monstro antes que ele cause mais estragos. Os problemas com os personagens principais podem ser resumidos à atuação de Chris Pratt como Owen Grady, uma mistura barata de Alan Grant e Indiana Jones. Do começo ao fim, ele não tem nada a dizer que já não tenha sido dito por personagens melhores, com uma entrega mais profunda e interessante. Muitas franquias poderiam ter se beneficiado de um herói clichê e rebelde interpretado por Pratt, mas algo tão (idealmente) inteligente quanto esta série não era o lugar certo para isso. Com os recursos e a CGI avançada de 2015, o filme se destacou visualmente, mas falhou em apresentar heróis convincentes.
Ninguém se destaca em Alien: Covenant
Em 2017, o público teve a tão esperada continuação do prequel Prometheus de Ridley Scott em Alien: Covenant. A trama segue a jornada de uma nave colonial rumo a um pequeno planeta após receber um sinal dele. Lá, eles encontram o androide David e seus planos de criar o xenomorfo. Com um patógeno mortal solto do lado de fora e uma máquina assassina dentro, a equipe sucumbe a mortes cada vez mais horríveis diante das diversas ameaças ao seu redor. Apesar de haver oportunidades suficientes para que esse filme se tornasse um verdadeiro horror corporal com criaturas, isso exigiria personagens fortes. Poderia ter sido uma ótima construção de mundo e terror se tivesse oferecido ao público um único herói digno de atenção. Ao invés disso, acompanhar a história se torna cansativo, fazendo com que os fãs torçam mais pelo xenomorfo do que por qualquer outro. O medo e a tensão estavam presentes, e havia muito potencial na expansão da mitologia da ficção científica, mas Alien: Covenant simplesmente não tinha um único personagem convincente que fizesse os fãs se importarem.
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