Os filmes que mudaram o cinema no século 21
Existem diversas formas de avaliar a qualidade de um filme, que vão desde métricas objetivas como a arrecadação nas bilheteiras até fatores subjetivos como o prazer pessoal com a narrativa. Uma maneira de determinar se uma produção será lembrada na história do cinema é observar seu impacto na indústria como um todo. Filmes que fazem sucesso frequentemente iniciam tendências, geram imitadores ou popularizam certas técnicas de filmagem. Desde o início do milênio, algumas obras cinematográficas transformaram fundamentalmente o cenário do cinema, para melhor ou pior, influenciando muitas outras produções que vieram a seguir.
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel estabeleceu um novo padrão para a produção cinematográfica
Mais de duas décadas depois, a trilogia O Senhor dos Anéis, dirigida por Peter Jackson, continua sendo aclamada como uma obra-prima. No momento de seu lançamento, no início dos anos 2000, as três partes foram recebidas com quase unanimidade de elogios tanto da crítica quanto do público, arrecadando um total de cerca de US$ 3 bilhões nas bilheteiras. Os artistas da Wētā Workshop foram pioneiros em CGI e captura de movimento, trazendo à vida a Terra-média e seus habitantes com um nível de fidelidade sem precedentes. Algumas inovações incluíram a dispersão subsuperficial, que permitiu que a luz interagisse de maneira realista com personagens CGI como Gollum, e o MASSIVE, que simulava batalhas em grande escala. Os efeitos digitais de O Senhor dos Anéis convenceram James Cameron de que poderia finalmente tornar Avatar uma realidade.
Avatar de James Cameron elevou os efeitos digitais a novos patamares
Há muito debate online sobre o impacto cultural — ou a falta dele — deixado pelo blockbuster Avatar, de 2009, de James Cameron. Contudo, mesmo que Jake Sully e Neytiri não tenham se tornado nomes conhecidos, Avatar foi fundamental para a evolução do CGI e da captura de performance. A produtora de Cameron, a Lightstorm Entertainment, desenvolveu várias novas tecnologias para Avatar, incluindo o Simulcam. Isso permitiu que Cameron visse uma versão rudimentar dos elementos digitais de uma cena em tempo real durante as filmagens, proporcionando total controle cinematográfico. O Simulcam ainda é utilizado atualmente, como na produção do filme A Minecraft Movie, previsto para 2025. Avatar também resultou em um boom de filmes em 3D na década de 2010. O épico de ficção científica de Cameron demonstrou que o 3D poderia ser uma ferramenta para aumentar a imersão do público, e não apenas uma novidade. Infelizmente, poucos filmes conseguiram utilizar o 3D com a mesma eficácia de Avatar, e essa técnica caiu em desuso novamente.
Cinderela abriu as portas para remakes em live-action
Uma das tendências mais marcantes no Hollywood moderno, especialmente nos estúdios da Walt Disney, é a de remakes em live-action. Ao longo da última década, uma longa lista de filmes animados foi recriada em versões live-action ou com CGI fotorealista. A reinterpretação de Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, em 2010, foi o primeiro exemplo moderno, mas foi a Cinderela, de Kenneth Branagh, em 2015, que realmente deu início à febre. Após o sucesso de Cinderela, a Disney produziu mais de uma dúzia de remakes em live-action, três dos quais estão atualmente entre os 50 filmes de maior bilheteira de todos os tempos. Com raras exceções, como o recente Moana, esses remakes em live-action são um caminho fácil para o lucro. Assim, apesar das críticas de quem prefere ver ideias originais nas telonas, a tendência popularizada por Cinderela deve continuar por um bom tempo. Outros estúdios também começaram a entrar na onda, como a DreamWorks com Como Treinar o Seu Dragão, em 2025.
Homem-Aranha no Aranhaverso expandiu as possibilidades da animação de alto orçamento
A animação é uma forma de arte incrivelmente versátil e expressiva, mas os filmes animados de grandes estúdios costumam seguir estéticas seguras e já conhecidas para atrair o maior público possível. Essa é uma das razões pelas quais Homem-Aranha no Aranhaverso foi tão refrescante quando estreou nos cinemas em 2018. Aranhaverso aproveitou ao máximo seu meio, misturando aspectos da animação CG e da animação 2D tradicional para criar a sensação de um quadrinho ganhando vida. Seu sucesso abriu caminho para outros filmes animados que quebraram o molde, como Gato de Botas: O Último Desejo, As Tartarugas Ninja: Caos Mutante e a mais recente sensação da Netflix, KPop Demon Hunters. Aranhaverso também ajudou a familiarizar o público com o conceito de multiverso. Nos cinco anos seguintes, foram lançados Spider-Man: Sem Volta Para Casa, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e The Flash, todos explorando realidades alternativas com diferentes níveis de sucesso.
Os Vingadores deram origem aos universos cinematográficos
Não se pode subestimar o impacto de Os Vingadores, de 2012, no gênero de super-heróis e na indústria cinematográfica como um todo. Embora os filmes anteriores da Marvel Studios já tivessem apresentado algumas interações entre personagens, Os Vingadores foram o verdadeiro teste do formato de universo cinematográfico, e o resultado foi um enorme sucesso. Após o lançamento de Os Vingadores, estúdios como Warner Bros., Sony e Universal Pictures correram para criar seus próprios universos cinematográficos, muitas vezes com resultados desastrosos. Spin-offs, crossovers e cenas pós-créditos sugerindo futuros filmes passaram a dominar Hollywood, enquanto as franquias tentavam se tornar o próximo Os Vingadores. Desde fracassos virais como Madame Web e o reboot de A Múmia, de 2017, até sucessos inesperados como Aquaman e Godzilla vs. Kong, tudo pode ser rastreado até Os Vingadores. No que diz respeito ao Universo Cinematográfico Marvel, ele se tornou a franquia de filmes de maior bilheteira de todos os tempos, arrecadando mais de US$ 32 bilhões em total mundial e consolidando para sempre o legado de Os Vingadores.
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