Filme Ad Vitam é um sucesso de streaming
A Netflix é amplamente reconhecida por algumas das melhores e mais memoráveis séries originais entre os serviços de streaming. Com produções como Stranger Things, Squid Game, Wednesday, Mindhunter e Beef, é seguro afirmar que a plataforma abrange uma ampla gama de gêneros e frequentemente acerta em suas escolhas. Muitas das séries originais da Netflix são tão fantásticas que, por vezes, ofuscam os incríveis filmes originais que surgem constantemente na plataforma. Um desses filmes é Ad Vitam, lançado em 10 de janeiro de 2025.
Ad Vitam é um thriller de ação francês dirigido e coescrito por Rodolphe Lauga. Esta produção silenciosamente se tornou um dos filmes não ingleses mais assistidos de todos os tempos, apesar das críticas desfavoráveis.
Ad Vitam segue clichês do gênero de ação, mas funciona
O filme Ad Vitam traz Guillaume Canet no papel de Franck Lazareff e Stéphane Caillard como Léo, a esposa grávida e sequestrada de Franck. Canet também produziu a obra e colaborou com o diretor e roteirista Rodolphe Lauga na elaboração do roteiro deste thriller de ação de 98 minutos. Em poucas palavras, os fãs do gênero conseguem perceber uma fórmula familiar, pois Ad Vitam (que significa ‘para a vida’ em francês) não busca romper com o molde. Na verdade, o filme segue a fórmula clássica de um homem casado com um passado misterioso, que acaba sendo confrontado por esse passado.
Por exemplo, em John Wick, o personagem de Keanu Reeves era um ex-assassino do submundo que se aposentou para viver ao lado da esposa. Após a morte trágica dela, Wick é puxado de volta à vida criminal quando um grupo de mafiosos invade sua casa, rouba seu carro e mata o cachorro que sua esposa deixou para ele. John Wick é apenas um dos muitos filmes que seguem uma premissa básica no gênero. Isso não é necessariamente negativo, já que filmes de ação e thrillers têm um grande público. O que determina o sucesso ou fracasso de um filme não é apenas a fórmula, mas a forma como cada um a interpreta e a torna única. John Wick, por exemplo, adotou um estilo neo-noir com um extenso desenvolvimento do mundo do submundo, o que fez a franquia se destacar e parecer bem elaborada.
Ad Vitam se concentra em Franck Lazareff, um ex-operador do GIGN, que significa Groupe d’intervention de la Gendarmerie nationale, ou Grupo de Intervenção da Gendarmaria Nacional. O GIGN é parte da Gendarmaria Nacional Francesa e atua como uma unidade tática de elite focada em questões como antiterrorismo e resgate de reféns, entre outros. Em uma carreira assim, não é difícil imaginar que Franck tenha feito inimigos poderosos. O filme começa com uma tentativa de assassinato contra Franck, que, ao sobreviver por pouco, logo descobre que sua esposa grávida, Léo, foi sequestrada. Ao partir para resgatá-la, Franck se vê envolvido em uma conspiração perigosa que pode lhe custar muito mais do que apenas sua esposa.
Essa premissa torna Ad Vitam uma clássica história de salvar um ente querido e buscar vingança contra aqueles que ousam ameaçá-los. Infelizmente, o filme não conseguiu impressionar críticos e espectadores. Atualmente, o Rotten Tomatoes atribui a Ad Vitam uma pontuação de 38% no Tomatômetro, com um Popcornmeter ainda mais baixo, que fica em 32%. A maioria dos críticos concordou que, embora o filme tenha algumas sequências de ação impressionantes e uma coreografia bem elaborada, ele falha em contar uma história envolvente. Liz Shannon Miller, do Consequence.net, chegou a afirmar: ‘Você poderia refilmar este filme amanhã em inglês com Liam Neeson no papel principal.’ A crítica de Miller não está totalmente errada, já que a trilogia Taken ou Cold Pursuit soam notavelmente semelhantes a Ad Vitam.
Apesar das críticas negativas, Ad Vitam é um sucesso de streaming
Embora Ad Vitam não tenha recebido críticas positivas, isso não impediu que o thriller de ação francês se tornasse um dos filmes não ingleses mais assistidos já feitos. Na verdade, Ad Vitam ocupa atualmente a nona posição no Top 10 de filmes não ingleses da Netflix. O filme de ação e aventura Troll ocupa o primeiro lugar, enquanto o terror Under Paris está logo abaixo. Ambos os filmes superaram 102 milhões de visualizações e geraram sequências. Troll 2 estreou na Netflix em 1º de dezembro de 2025, e Under Paris 2 está em produção. Ad Vitam já conta com mais de 63 milhões de visualizações e mais de 103 milhões de horas assistidas. O sucesso desse filme, que poderia ser considerado esquecível, é um interessante estudo cinematográfico sobre o que atrai os espectadores.
Para muitos fãs de ação, Ad Vitam é visto como um filme mediano. Ele possui várias sequências de ação emocionantes que proporcionam um bom entretenimento, mas sua narrativa lenta contrasta de forma chocante com as emoções constantes. Muitos críticos e espectadores informais apontaram que uma das maiores falhas do filme é a longa sequência de flashbacks no meio da trama. Quase todos concordam que esse flashback é excessivamente longo, arrasta o ritmo do filme e destrói seu impulso. No entanto, usuários da Netflix ao redor do mundo continuam a assistir Ad Vitam. Talvez esse seja um caso em que as críticas negativas gerem curiosidade, fazendo as pessoas quererem conferir se o filme é tão ruim quanto dizem. Admitidamente, Ad Vitam não é um filme ruim. É um thriller de ação razoável que apresenta algumas qualidades positivas. A atuação de Guillaume Canet fala por si só. Ele lidera o filme com força e habilidade, tornando difícil desviar o olhar, mesmo quando o ritmo se torna insuportavelmente lento. As sequências de ação também são explosivas e intensas, mostrando que Franck Lazareff, interpretado por Canet, fará de tudo para salvar sua esposa grávida e o filho que está por vir.
Vale ressaltar que a adesão de Ad Vitam a um clichê comum do thriller de ação é provavelmente uma das razões pelas quais o filme se tornou tão popular, mesmo com as críticas negativas. A ideia de alguém ir até as últimas consequências para proteger seus entes queridos é um tema simples que ressoa em praticamente todas as culturas ao redor do mundo. É algo com o qual todos podem se identificar e apreciar, o que explica por que esse clichê, apesar de ser excessivamente utilizado, continua firme e forte.
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