SCRAP é um filme para aqueles que não conseguem ou não puderam crescer, e para as pessoas que os amam. A diretora, roteirista e estrela Vivian Kerr criou um filme de amadurecimento para adultos. É um longa-metragem que questiona se o desenvolvimento interrompido de alguém é por circunstâncias, por escolha própria ou uma combinação de ambos. E embora este projeto indie possa não ser o mais chamativo ou dinâmico dos filmes, vale a pena conferir para quem se sente um pouco deslocado.
A protagonista de SCRAP é Beth, interpretada por Kerr, que é apresentada dormindo no banco de trás de seu carro após perder o emprego. É uma situação precária para Beth, que deixa sua filha pequena aos cuidados de seu irmão Ben enquanto mantém uma elaborada farsa para fazê-lo pensar que tudo está bem. Mas, naturalmente, a verdade logo vem à tona, e Beth precisa encontrar uma maneira de reorganizar sua vida sem atrapalhar a vida de Ben e sua esposa Stacy no processo. Os espectadores sabem para onde este filme está indo, mas é uma jornada que vale a pena.
SCRAP é um Filme Sobre Crescer para Adultos
O Filme Aborda Alguns Temas Familiares
Todos estão familiarizados com o filme de amadurecimento: um filme em que o protagonista adolescente se torna um adulto, encontrando a si mesmo através de um evento transformador ou de um novo relacionamento importante. SCRAP é o filme em que a protagonista adulta se torna uma adulta, encontrando-se através das circunstâncias transformadoras que surgem em sua vida. Certamente não é culpa da Beth estar desempregada, mas nos primeiros trinta minutos do filme, o público pode perceber que ela também não é necessariamente a mais madura. Ela faz de tudo para que Ben pense que nada mudou em seu mundo, e é difícil não pensar que todo esse esforço poderia ser melhor empregado de outra forma.
Claro, o filme também estabelece logo de início que Beth é uma vítima de algumas situações adversas. Uma das primeiras cenas é uma entrevista de emprego que acaba não dando certo para ela. Assim, o roteiro de Kerr deixa claro que Beth não está apenas relaxando; ela simplesmente não ajuda a situação na maioria das vezes. A pergunta natural para o público que entra em seu mundo é por que ela não pede ajuda, já que parece ter um irmão muito solidário? Kerr responde a essa questão no momento certo, já que Beth tem seu orgulho a engolir, mas também não parece saber o que realmente quer, além do que é melhor para sua filha. O filme tem uma configuração clássica, com um irmão sendo o estável e o outro colorindo fora das linhas.
Dito isso, ao contrário de alguns filmes de amadurecimento, não há uma grande lição a ser aprendida no final de SCRAP. Beth e Ben certamente aprendem coisas por conta própria, mas Kerr se abstém de tentar transmitir alguma ideia maior ao público. Sua história é específica para esses personagens e, enquanto alguns espectadores podem estar em busca daquela camada extra de profundidade narrativa, o filme não necessariamente precisa disso. Ele proporciona uma clara sensação de encerramento na jornada de Beth, e é isso que deixa o público.
SCRAP é Ancorado pelo Ator Favorito dos Fãs Anthony Rapp
O Ícone da Broadway é Silenciosamente Crítico em Relação a Ben
Beth é a clara protagonista de SCRAP, e Kerr merece crédito por não se deixar levar demais pelo roteiro. É evidente que o filme é seu projeto de paixão, com todos os papéis que ela desempenha em sua produção, mas ela não faz do filme algo totalmente centrado em Beth, e torna sua personagem bastante imperfeita. Há momentos em que Beth pode ser frustrante. Ao mesmo tempo, há outros momentos em que o espectador consegue compartilhar dessa frustração. A personagem lembra um pouco a interpretada pela ex-integrante do Saturday Night Live, Amy Schumer, em sua comédia de curta duração no Hulu, curiosamente chamada Life & Beth. A Beth de Kerr tem mais carisma, como se houvesse uma faísca dentro dela que foi esmagada pela situação atual e agora está esperando para ser reacendida. Ela faz um bom trabalho ao lembrar regularmente os espectadores da vulnerabilidade de Beth. Afinal, se as pessoas assistindo não torcerem por Beth, não há filme.
No entanto, pode-se argumentar que o verdadeiro MVP de SCRAP é o irmão de Beth, Ben, interpretado pelo ator Anthony Rapp, conhecido por seu papel em Star Trek: Discovery. Isso não se resume apenas ao fato de que o reconhecimento do nome de Rapp por causa de Star Trek e suas atuações na Broadway atrairão muitas pessoas para este filme. É também porque Ben é a voz da razão no filme e seria o herói em outra história. Ele é o tipo de cara que é fácil de apoiar, que faz de tudo pelas pessoas que ama e que só quer que tudo fique bem. Ele não é apenas um contraponto para Beth, mas também é permitido criticar seu comportamento quando necessário. Esse é um elemento importante do roteiro de Kerr; Beth não tem um passe livre só porque é a protagonista. A maior parte de sua jornada é assumir a responsabilidade, através da figura de seu irmão.
Ben: Seus assuntos são seus assuntos, mas você tem uma filha que precisa de você… A propósito, a Stacy acha que você está usando drogas, então tem isso.
Completando o elenco está a ex-estrela de Era Uma Vez, Lana Parrilla, como a esposa de Ben, Stacy, que, claro, nem sempre tem o melhor relacionamento com Beth. As relações entre os três personagens seguem linhas bem familiares. Mas especialmente depois de tantos anos assistindo Parrilla interpretar um personagem tão fantasioso no programa de fantasia da ABC, é bom ser lembrado de que ela também pode interpretar alguém incrivelmente pé no chão. Stacy é o oposto de Beth: estável, otimista e desejando ser mãe enquanto sua cunhada já o é. Uma das cenas mais emocionantes em SCRAP acontece mais para o final, quando Beth finalmente admite a Stacy que entende o impacto que suas escolhas tiveram na vida de Stacy. Ben mantém todo o filme ancorado, mas a relação entre Beth e Stacy evolui para algo que teria valido a pena explorar.
SCRAP Vai no Seu Próprio Ritmo – O Que Leva a Altos e Baixos
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A Falta de Urgência do Filme Pode Frustrar Alguns Espectadores
Outro obstáculo que SCRAP precisa superar é que ele não começa com uma estrutura de história tradicional ou um verdadeiro senso de urgência. Esse é um grande risco para um filme independente, já que ele precisa prender a atenção dos espectadores logo no início e provar que vale a pena assistir. Em vez disso, o filme leva seu tempo para mostrar a rotina matinal de Beth e cada aspecto de como ela transformou seu carro em um mini apartamento. Isso pode ajudar a estabelecer o cenário, mas os espectadores não necessariamente precisam de todos esses detalhes. E a falta de um impulso claro na trama também é um desafio; as pessoas sabem o que Beth deseja, mas não há um caminho direto para chegar lá, como “Beth precisa atravessar o país para uma entrevista de emprego.” Alguns membros da audiência podem não se conectar com a abordagem mais orgânica do filme, mas aqueles que persistirem verão a obra crescer sobre eles.
SCRAP verifica alguns pontos positivos para Beth ao longo da trama, como um relacionamento em desenvolvimento com Marcus (interpretado por Khleo Thomas). Isso não atinge os altos níveis de romance de uma comédia romântica, mas funciona no sentido de que os espectadores sabem que é algo bom para Beth — e é isso que o filme realmente aborda. A narrativa leva seu tempo para chegar onde quer, e pode não ser um filme de alta energia, mas conta a história de uma mulher que transforma suas piores circunstâncias em um novo capítulo de sua vida. Todos poderão se identificar com os sentimentos de Beth, mesmo que não se conectem com seus desafios, e é isso que confere a este filme independente seu apelo sincero.
SCRAP já está disponível no Prime Video.